Os improváveis da existência
Vivemos em um mundo repleto de bolhas (digitais, afetivas e morais), que nos cercam apenas de semelhantes. Nas bolhas, tudo parece conectado pela lógica da convergência: pensamos de modo parecido, votamos de modo parecido e só queremos perto de nós aqueles que confirmam nossas crenças. Parece que a diferença, antes tão valorizada, se tornou incômoda e passamos a pensar que o dissenso é uma ameaça, e o outro, um risco a ser evitado a todo custo.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Nesse cenário, o improvável surge como uma espécie de caos ordenado, a pôr fim à calmaria que os semelhantes trazem. O improvável não é regido pelas estatísticas e escapa à lógica das afinidades e, não por acaso, expande nosso horizonte de sentido. São encontros que não deveriam acontecer ou alianças que não fazem qualquer sentido sob qualquer ótica, mas que, justamente por isso, podem ser tão auspiciosos.
Para citar um exemplo, tenho um grupo de amigas que, para os observadores externos, seria incompreensível a razão que nos une. Eu mesma confesso que ainda........
