A carência como cliente
No semestre passado orientei uma aluna em uma pesquisa sobre inteligências artificiais que simulam afeto. Confesso que, a princípio, não achei o tema interessante, pois acreditava que estava muito distante da nossa realidade: pensei ser coisa de quem via séries demais. No entanto, à medida que o trabalho progredia, fiquei espantada de como nossa vulnerabilidade vem sendo usada como produto. As empresas ainda não descobriram como fabricar o afeto, ao invés disso, monetizaram justamente aquilo que costumamos esconder da maioria das pessoas que nos cercam, que é a nossa carência essencial.
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O trabalho me mostrou que existe um mercado de companheiros virtuais que cresceu 700% entre 2022 e 2025. Uma dessas empresas, a Character.AI, recebe mais de vinte mil consultas por segundo. Para termos uma ideia do que esse número representa, isso é um quinto do que o Google inteiro processa em buscas na mesma quantidade de tempo. O tempo médio em que as pessoas permanecem nesse tipo de plataforma é quatro vezes maior do que o tempo que ficam no ChatGPT, que, pelo menos, em tese, auxilia algum........
