Condomínio não é comunidade
Existe uma confusão que o mercado imobiliário ajudou a construir, e que a sociedade brasileira abraçou sem muito questionar: a ideia de que morar junto é o mesmo que conviver. Que dividir um endereço equivale a compartilhar uma vida. Que um condomínio é uma comunidade.
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Um condomínio é um contrato. Um conjunto de obrigações e proibições que regula a coexistência de pessoas que, na maior parte dos casos, não teriam escolhido umas às outras se tivessem outra opção. A coesão não vem de afinidade — vem do regimento interno. O que une os moradores não é uma visão de mundo compartilhada, nem laços de confiança construídos ao longo do tempo. É a lista do que não pode: não pode barulho depois das 22h, não pode animal no elevador, não pode churrasco na varanda, não pode estacionar bicicleta na sua própria vaga. É o pior de cada um disputando o poder sobre o que os outros não podem fazer, dando concretude à síndrome do pequeno tirano.
Numa comunidade, a lógica é inversa. O que une as pessoas é o que elas têm em comum — valores,........
