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O capitão do mato aplaudiria Beatriz Bueno, de pé

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24.01.2026

É muito difícil entender o que está acontecendo quando chegamos ao meio de qualquer história, sobretudo quando elementos importantes já ocorreram. Geralmente ficamos sem parâmetros e corremos um sério risco de sermos tendenciosas ao nos posicionarmos. Verdade é que ficamos reféns de uma versão parcial dos fatos, muitas vezes induzidas por nossa simpatia por uma das partes ou por aquela perspectiva desonesta vendida por quem tem mais poder de persuasão.

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Quem pega esse bonde andando na história do Brasil, como nós que aqui estamos pegamos, e não quiser ser facilmente enganada não pode ter preguiça de elaborar uma reflexão crítica. Para isso, é necessário estar atenta e cética, para não cair em qualquer conversa fiada que contam por aí. Pensar exige tempo, esforço, estudo — e cansa. Cansa muito. Diferentemente de reproduzir um discurso pronto, que é só repetir sem avaliar se faz sentido ou quais prejuízos ou lucros esse discurso pode ocasionar.

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Digo isso porque, no dia a dia, vejo inúmeras pessoas que não pararam um segundo do seu tempo para pensar sobre um fenômeno social e ficam reproduzindo falas prontas de outras, mesmo sabendo que não sabem absolutamente nada sobre aquele assunto. Repetem que Trump está certo ou errado sem nunca terem feito sequer uma leitura sobre a história da Venezuela. Saem por aí afirmando que a Rede Globo é de esquerda sem saber sequer o nome do maior acionista da empresa, nem em quem ele votou ou vota.

É uma desonestidade intelectual, em nome do ego de parecer que se sabe de tudo, que chega a me dar dor de cabeça. Quando esse tipo de gente fala de um assunto que eu não conheço, não pesquisei, não estudei, tudo bem: eu paro, escuto, reflito e, quando me parece importante, reservo um tempo para buscar mais informações sobre aquele tema. Não coloco o discurso da pessoa nem na prateleira das “notícias verdadeiras”, nem na das “fake news”. Deixo ali, em stand-by, aguardando o momento de checar se é fato ou fake. Certo?

Mas esse é o meu jeito. O jeito como enxergo o mundo, os fatos, as pessoas, as histórias e, principalmente, as relações raciais no Brasil. Eu sentei a minha bunda na cadeira e fui estudar a história do movimento negro. Essa história me apresentou figuras que me impactaram profundamente, como Hamilton Cardoso, Clóvis Moura, Abdias do Nascimento, Luiza Bairros, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Yedo Ferreira, Miltão, Marcos Cardoso, Sueli Carneiro, Diva Moreira e tantos outros, difíceis até de citar. Pessoas que dedicaram a vida a mudar a realidade em que viviam........

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