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Dos "bancões" ao banco digital: a relação com o dinheiro mudou

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30.01.2026

Por Isabel Gonçalves 

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Você se lembra quando abriu a primeira conta no banco? Tinha que ir à agência pessoalmente, pegar senha, entregar cópias de documentos e, muitas vezes, ouvir uma explicação confusa de um gerente que falava “economês” como se fosse algo óbvio? Ou foi mais prático em um banco digital com alguns cliques, sem nem precisar sair de casa, num aplicativo colorido e intuitivo?

Hoje em dia, os tempos mudaram, o banco cabe no bolso, o investimento começa com poucos cliques e o brasileiro, aos poucos, deixou de ser espectador das próprias finanças. Mas será que os “bancões” tradicionais foram deixados de lado? E no fim, qual vale mais a pena? 

Antes dos aplicativos, a relação com o banco era quase pessoal. Todo mundo tinha um gerente “de confiança”, alguém que você conhecia pelo nome e até sabia quando ia tirar férias.

Atualizar cadastro, aumentar limite, renegociar dívida, liberar um crédito, entender uma tarifa misteriosa que apareceu no extrato, tudo passava por ele. O banco não era um serviço disponível 24 horas, era um lugar físico, com horário comercial, fila e o gerente era o tradutor oficial daquele sistema.

Para quem tinha conta há anos na mesma instituição, a sensação era de segurança: “se der problema, eu ligo para fulano”. O gerente sabia sua renda, sua história e, às vezes, até seus planos de vida. Mas isso também significava que a informação era concentrada no banco, não no cliente. 

Você dependia da explicação de alguém que representava a instituição, não necessariamente seus interesses. Taxas, regras e condições raramente eram comparadas com outras opções, até porque isso dava trabalho e quase não existiam alternativas visíveis. Podia até funcionar, mas exigia tempo, paciência e uma boa dose de fé de que o banco estava jogando no mesmo time que você.

A partir da década de 2010, duas mudanças passaram a andar juntas: tecnologia e informação. O banco saiu do prédio e foi parar na tela do computador. O internet banking mostrou que aquela relação antiga, baseada em agência e horário comercial, começava a ficar para trás.

Com isso, o cliente ganhou mais autonomia. Não era mais preciso “pedir” informações, o controle do dinheiro ficou mais rápido e menos dependente do funcionamento do banco.

O verdadeiro ponto de virada, porém, veio com os bancos digitais. Eles não apenas digitalizaram processos antigos, mas redesenharam toda a experiência. Abrir conta passou a levar minutos, não dias. Resolver problemas virou conversa por chat, e o aplicativo deixou de ser um complemento para se tornar o próprio banco.

Esse modelo também ampliou o acesso ao sistema financeiro. Pessoas que antes evitavam bancos por burocracia ou custos altos passaram a entrar no jogo. Tarifas menores, linguagem menos complicada e interfaces mais intuitivas fizeram diferença.

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