Consignado do INSS: prazo maior resolve ou só adia o problema?
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Prazo mais longo, parcela mais "camarada", carência para começar a pagar. No papel, o pacote de mudanças do Novo Desenrola Brasil para o crédito consignado do INSS parece uma boa notícia sem letras miúdas. Mas quem já foi atrás de aposentado ou pensionista tentando entender um contrato de empréstimo sabe: quando a parcela fica menor, quase sempre tem alguma coisa ficando maior em outro lugar. E, no caso do consignado, essa "outra coisa" costuma ser o tempo, e o total pago no fim da linha.
O governo federal oficializou, por meio da Instrução Normativa PRES/INSS nº 204 e da Medida Provisória nº 1.355/2026, uma reformulação nas regras do consignado para aposentados e pensionistas. A pergunta que fica é: essas mudanças realmente protegem o bolso de quem já vive com a renda apertada, ou só tornam o crédito mais fácil de contratar, e mais difícil de sair?
O que mudou no consignado do INSS?
Resumindo o pacote em quatro pontos principais:
Prazo máximo maior: de 96 para 108 parcelas, o equivalente a nove anos para quitar um empréstimo.
Prazo máximo maior: de 96 para 108 parcelas, o equivalente a nove anos para quitar um empréstimo.
Margem consignável menor: cai de 45% para 40% da renda do benefício, mas agora funciona como um limite único, sem reserva fixa e separada para crédito consignado, cartão consignado e cartão benefícios.
Margem consignável menor: cai de 45% para 40% da renda do benefício, mas agora funciona como um limite único, sem reserva fixa e separada para crédito consignado, cartão consignado e cartão benefícios.
Carência opcional de até 90 dias: o beneficiário pode começar a pagar as parcelas só três meses depois de contratar, se o banco oferecer essa opção, porque não é obrigatório.
Carência opcional de até 90 dias: o beneficiário pode começar a pagar as parcelas só três meses depois de contratar, se o banco oferecer essa opção, porque não é obrigatório.
Fim gradual dos cartões consignado e benefício: a fatia da margem reservada para esses produtos vai encolhendo ano a ano até desaparecer, em 2029.
Fim gradual dos cartões consignado e benefício: a fatia da margem reservada para esses produtos vai encolhendo ano a ano até desaparecer, em 2029.
Cada um desses pontos parece, isoladamente, uma boa notícia. O problema é que, juntos, eles mudam o comportamento de quem toma o crédito, e nem sempre para melhor.
Prazo maior, parcela menor: alívio hoje, conta mais alta amanhã
Passar de 96 para 108 parcelas reduz o valor mensal descontado do benefício. Isso é real e ajuda quem precisa de fôlego imediato no orçamento. Mas é importante fazer a conta que raramente aparece na propaganda: quanto mais tempo........
