CDB de 135% do CDI: o caso Digimais acende o alerta
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Um CDB que promete 135% do CDI parece bom demais para ser verdade. E, com frequência, é exatamente isso: um sinal de alerta que o investidor deveria levar mais a sério do que a própria taxa de retorno.
O caso do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, é o exemplo mais recente, e mais didático, de porque rentabilidade muito acima da média do mercado costuma vir acompanhada de um risco que não aparece com destaque no aplicativo do banco ou da corretora.
O que aconteceu com o Digimais?
Mesmo depois de o banco ser alvo de uma operação da Polícia Federal, grandes plataformas de investimento (Itaú, XP, BTG e Ágora, corretora do Bradesco) continuaram oferecendo CDBs do Digimais, com retornos de até 135% do CDI. apéis que outros investidores compraram antes e agora estão revendendo antes do vencimento, geralmente porque querem antecipar a liquidez. Nubank e Inter, que também distribuem os títulos, não foram encontrados oferecendo o produto.
Os papéis seguem anunciados com o selo de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aportes de até R$ 250 mil, e a maioria das instituições classifica o título como de "risco alto". A exceção é o BTG, que o classifica como risco "moderado", sem comentar publicamente o critério usado para essa avaliação.
A operação da Polícia Federal contra o Digimais, batizada de Operação Miragem, foi deflagrada em 23 de junho de 2026. Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, com bloqueio de bens que pode chegar a R$670 milhões. Segundo a PF, com base em relatórios do próprio Banco Central, os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares. É a mesma lógica usada, guardadas as proporções, no colapso do Banco Master.
O banco Digimais acabou?
O caso não parou no dia da operação policial. Nas semanas seguintes, a investigação avançou e ampliou a pressão sobre o grupo empresarial de Edir Macedo, com a PF apurando indícios de manipulação de demonstrativos contábeis e de registros regulatórios que teriam ocultado a real situação financeira da instituição. Em nota, o Digimais afirmou colaborar com as investigações, e a Universal se manifestou dizendo que Edir Macedo não participa da gestão executiva, operacional, financeira ou contábil do banco.
Segundo reportagem do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicada em julho, Edir Macedo teria injetado cerca de R$1,5 bilhão no banco para tentar viabilizar sua venda, com os recursos destinados a reduzir os problemas no balanço do banco, que segue em negociações com potenciais compradores, entre eles BTG Pactual e Banco Safra. O BTG já havia formalizado interesse pela instituição em abril, e um dos atrativos do negócio seria um crédito tributário estimado em R$3 bilhões.
Esse pano de fundo é importante para quem ainda segura ou pensa em comprar CDBs do Digimais no mercado secundário, ou seja, desses que estão sendo revendidos por outros investidores. O banco está numa corrida contra o tempo, sob pressão do Banco Central, para encontrar um comprador antes de um cenário de intervenção ou liquidação.
O que é a venda de CDB no mercado secundário?
Vale entender o mecanismo, porque ele explica por que os CDBs do Digimais continuam disponíveis mesmo com o banco sob investigação. Quando um........
