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Enquanto respiro

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16.04.2026

Do tempo, além dos riscos em minha pele, conheço muito pouco. Mas esse, o biológico, é o que menos importa. Falo do tempo da vida acontecendo: da respiração, da inspiração de tudo que há no éter, o oxigênio e as outras invisibilidades; da expiração e a troca de ares – os que dão cor e viço à paisagem e os que bafejam os mapas internos do autoconhecimento. O tempo de intercâmbio entre a luz dos dias e a luz se estabelecendo no vago da pessoa. Pode levar, esse infindável despertar, muitos anos ou milésimos de segundo, pode ser resultado das experiências acumuladas ou de um lampejo, o resultado do esforço pessoal ou o tempo da Graça. Acontece, mas não termina. Para esse tipo de tempo não há teorema ou corolário estabelecido porque sua natureza não tem medidas a serem tomadas nem padrões passíveis de observação. A tese mais científica que já ouvi sobre o assunto foi formulada por um padre de uma pequena igreja na Espanha a um amigo de passagem por lá: “O tempo é Deus caminhando”, disse ele, e nada mais acrescentou.

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Observo o tempo dos bichos: as asas do beija-flor são incrivelmente velozes, mas tanta rapidez serve para faze-lo parar no ar e não para chegar mais depressa, o que deixa expostas as vísceras da ansiedade humana para consumo dos micróbios. A mosca varejeira é ainda mais rápida: consegue ficar estática no ar, mas se desloca tão repentinamente que aos olhos humanos é impossível segui-la. Deixa-se descobrir de novo, em seu novo espaço de ficar, pelo som das asas supersônicas. A borboleta leva longo e rigoroso processo para ser e não........

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