O catalisador de sonhos
Já não me lembro mais quando conheci o Afonso. Acho que foi desde sempre. Em Belo Horizonte, cidade onde as montanhas parecem cochichar entre si e onde as decisões mais importantes da República já começaram em mesas de bar, existe um ser humano que conseguiu transformar conversa em destino. Diz a lenda — e o próprio Sérgio Abranches registrou — que tudo começou num botequim, como quase tudo que presta neste país.
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O criador do Sempre Um Papo não nasceu empresário cultural. Nasceu conversador. E há uma diferença enorme. Empresários organizam cadeiras; conversadores organizam encontros. O nome dele é Afonso Borges, mas poderia se chamar “Mediação” ou “Enzima”.
Afonso tem uma habilidade rara: ele não apresenta autores; ele cria atmosfera. Quando o Sempre Um Papo acontece, não é um evento — é um estado de espírito. Quem vai, acha que vai ouvir um escritor; sai com a sensação de que participou de uma pequena conspiração civilizatória. Tendo sido batizado e ungido por Frei Beto, não poderia ter tido outro destino.
Afonso Borges lapida histórias no livro 'Tardes brancas'
Afonso Borges, criador do Sempre um Papo, será homenageado em São Paulo
A primeira vez que entendi isso foi muito antes da pandemia, mas foi durante a pandemia que percebi a dimensão do personagem. Enquanto o mundo discutia curvas epidemiológicas, variantes e taxas de transmissão, lá estávamos nós dois, diariamente, fazendo nossos “10 minutos de papo” no Instagram. Eu, infectologista........
