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Brasília: uma miragem

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18.08.2026

Todas as vezes que venho a Brasília, um turbilhão de lembranças e sensações aflora em mim. E faço, com meus botões, a constatação íntima e básica: JK era muito louco. Ou muito “phoda”. Ou as duas coisas — porque, no Brasil, particularmente em Minas, a loucura e a ousadia costumam viajar no mesmo vagão.Certa vez, fui acordado de madrugada pelo meu pai, em Ibiá. O motivo: encontrar um tal de JK na estação ferroviária. Eu não sabia a razão do encontro, nem quem era aquele ser pelo qual meu pai andava tão entusiasmado e por cuja causa eu teria de vestir roupa de domingo. Mas fui. Menino obedece; e, quando cresce, agradece.Esperamos na plataforma, naquele frio da madrugada mineira que sobe dos trilhos antes do sol, até que veio o trem do homem. Assim que parou, meu pai se apresentou, e entramos no vagão-restaurante, que exalava cheiro de café recém-passado. O garçom, impecável em seu smoking branco, serviu-me chocolate quente e bolachas Maria — minhas preferidas até hoje. Há paladares que a vida não corrige.Minutos depois, chegou aquele indivíduo alto, de sorriso aberto como quem pretende carregar o país inteiro nos dentes. Ele e meu pai se abraçaram como os velhos amigos. A faculdade e a medicina os uniu. Meu pai me apresentou, e o homem me ergueu do chão ao teto do vagão como um troféu. Lá de cima, vi minhas bolachas Maria ficando para trás, sobre a mesa, e não gostei. Talvez tenha sido a minha........

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