A pedra e a bactéria
Juleba, meu amigo de quase uma vida, me perguntou se eu já tinha escrito sobre as bactérias multirresistentes e os absurdos dos seres humanos. Não me lembro. Cronista semanal só olha para frente. Cronista e ciclista, então, se não olhar para frente é tombo na certa. Na gíria do nosso Pedal da Lagoa, é "comprar terreno".
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Juleba é poeta e sambista do "Me samba que eu vou". Alto, esguio, solteiro, nariz de perdigueiro — hábil para farejar moças à caça de bom companheiro. Zagueiro dos bons. Um dia, na nossa pelada de fim de ano, foi comparado ao Beckenbauer por ninguém menos que o Tostão (Eduardo Gonçalves, para os colegas da medicina). Claro, Eduardo, com sua retina comprometida, já não enxerga como o Tostão. Mas isso não importa. A sugestão do Juleba merece replay, mesmo que já tenha passado por esta coluna.
Pois bem. Vou contar como nasce uma bactéria multirresistente, que é coisa que eu entendo, para depois falar de gente, que é coisa difícil de entender. A bactéria não é má. Ela só quer ficar viva, como o pé-de-couve da minha mãe queria ficar vivo, como o Juleba quer ficar ligado até o próximo carnaval. Quando o antibiótico chega, a maioria morre. Mas uma, por sorte de nascença, tem uma fechadura que a chave do remédio não abre. Ela sobrevive, se multiplica e ensina a receita às vizinhas, num troca-troca de genes que faria inveja a qualquer roda de samba e suruba do Vorcaro. Quanto mais a gente usa antibiótico sem........
