"Sextou" virou verbo
Dizem que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Ou seja, Deus deve ter sido o criador da escala de trabalho 6x1. Mas qualquer mortal medianamente observador há de concordar que Ele reservou a sexta-feira para criar o entusiasmo, a esperança e aquela mentira coletiva que nos faz acreditar, religiosamente, que a vida verdadeira só começa quando o ponteiro do relógio anuncia o fim do expediente e o começo do que convencionamos chamar de "liberdade".
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As pequenas loucuras do cotidiano
A sexta-feira é o dia em que o brasileiro acorda diferente. Não importa se passou a semana inteira arrastando os pés, reclamando do chefe, do trânsito, da política, do preço do tomate. Na sexta, há uma luz no fim do túnel – e não é a do trem vindo em sentido contrário. É a luz do boteco, do restaurante, da casa dos amigos, do sofá onde finalmente poderá desabar sem culpa. Tenho um grupo de amigos que inventou o almoço de sexta. A intenção era matar aula e abreviar a tortura.
Como médico, aprendi a diagnosticar essa síndrome peculiar. Os sintomas são inconfundíveis: o paciente chega ao consultório na segunda-feira com a expressão de quem carrega o mundo nas costas. Na terça, ainda resmunga. Na quarta, começa a negociar com a realidade. Na quinta, esboça um sorriso tímido. Mas na sexta – ah, na........
