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O que entregará Lula para escapar do abismo?

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10.04.2026

Se chamados a definir o momento do governo Lula, talvez astrofísicos o situariam na “ergosfera”. Trata-se da região de arrastamento máximo, aquela região em que corpos se encontram entre a imensidão do universo, por um lado; e, por outro, o horizonte de eventos, última fronteira de luz e ponto de não retorno antes de serem dragados pelos buracos negros. Imerso em contexto internacional adverso, o governo Lula luta para evitar que a crise dos combustíveis desencadeie um processo inflacionário, que segue o pior dos inimigos de qualquer governo nacional, mesmo na era da tecnopolítica. Internamente, está às voltas com as dificuldades para a governabilidade em um Congresso Nacional de viés de oposição, o que se agrava dadas as conhecidas dificuldades para navegar em ambiente comunicacional digital de dominância do campo bolsonarista.

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União, PP, PSD, MDB, Podemos, todas legendas com as quais Lula trabalhou a governabilidade pinçando ministros cá e lá, talvez tenham um único ponto de conexão: a perspectiva de poder. Se quem integrou o atual governo já dele arrancou o que pode para lhe facilitar a reeleição, agora é hora de olhar para frente: o que reserva o futuro, digo, as próximas eleições. Entre dezembro e março, Lula deixou a zona de relativo conforto – em que concorreria como favorito numa eleição sabidamente dura – para a zona cinzenta, em que qualquer passo em falso cobrará o seu preço.

O desempenho do governo do presidente da República transborda do Planalto para todos os estados brasileiros e afeta diretamente as composições e alianças. Minas Gerais é o retrato vivo. Se o presidente deixa de ser um cabo eleitoral em condições de impulsionar e virar o jogo nas disputas estaduais, encontrar candidaturas........

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