A Sombra de 1976 e a verdade sobre JK
Uma semana antes da morte de Juscelino Kubitschek, que ocorreu em 22 de agosto de 1976, Anna Christina Kubitschek estava no Rio de Janeiro, ao lado de sua mãe, Márcia Kubitschek (1943-2000), filha de JK, quando recebeu uma estranha notícia: o falecimento do ex-presidente em um acidente de carro. Naquele momento, a falsa informação pareceu à família um trote. Dias depois, foi publicada notícia assinalando que o ex-presidente poderia morrer em um acidente na via Dutra. A tragédia anunciada se concretizou. Por volta das 18h, o Opala em que estava JK, conduzido por seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro, trafegava na altura do km 165 da via Dutra, em direção ao Rio de Janeiro. Subitamente desgovernado, o veículo atravessou o canteiro central, invadiu a pista oposta e se chocou de frente com uma carreta. JK e Ribeiro tiveram morte instantânea.
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O inquérito oficial conduzido à época, concluiu que se tratou de um acidente. Mas, pouco antes de se completar 50 anos da morte, demonstra-se que provas foram adulteradas e testemunhas manipuladas. Relatório aprovado em 29 de maio deste ano, pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), após reabrir as investigações sobre o caso em 2025, assinala: foram 37 fraudes na apuração, facilitadas pela chegada de militares ao local cerca de 20 minutos após o acidente. O documento foi relatado pela professora e historiadora Maria Cecília Adão. Os peritos do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro que atuaram no caso também estiveram envolvidos em fraudes em outras investigações de mortes durante o período da ditadura. O documento contesta, com base em nova análise pericial, a versão oficial de que JK morreu em um acidente automobilístico. In dubio pro victima (na dúvida, a favor da........
