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Como se não houvesse amanhã

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21.03.2026

Cheguei aos 51 anos e, muitas vezes, tenho me surpreendido com a minha tranquilidade para lidar com questões que, há alguns anos, me tiravam do eixo. A ansiedade me acompanha desde a infância; eu roía as unhas, precisava de recursos de autorregulação, andava carregando uma fralda de pano e passando meus dedos na borda dobrada do tecido, fazendo um movimento específico, como se meus dedinhos fossem um zíper passeando de um lado ao outro. 

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Deixei de roer as unhas, mas as mordo quando a ansiedade bate mais forte. Só que agora já consigo pensar nos problemas, sabendo que serão resolvidos, como já se resolveram tantos outros ao longo da vida. Essa serenidade é fruto de uma construção interna contínua, um pacto que fiz comigo mesma para não deixar que o ruído externo ensurdeça minha intuição. Entendi que a maturidade não é o fim das dúvidas, mas a aceitação de que nem tudo precisa de uma resposta imediata para que eu possa caminhar em paz.

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Não faz muito tempo, me dei conta de que eu não tinha sonhos nem planos - o modo automático esteve ativado. Para evitar a........

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