Lepanto e a batalha da atividade literária
Quem veio me contradizer foi Emmanuel Macron. Duas semanas atrás, em "Marcha fatal", afirmei que não esperamos, de chefes de Estado e – Governo, que tenham tempo de ler. Suas tarefas, sua agenda pesada, permitem presumir que eles conseguem se dedicar no máximo à leitura de relatórios e pontos de conversação.
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Na versão final daquela coluna, suprimi, por razão de espaço, um parágrafo em que recordava um romance do escritor inglês Alan Bennett, em que a rainha Elizabeth II desenvolve, de repente, uma inverossímil paixão pela leitura. Livros tornam-se a tal ponto uma obsessão da soberana, que passam a ser vistos, pelos seus assessores, como um empecilho para que exerça suas funções.
Pois o presidente da França, entrevistado enquanto visitava o Festival do Livro em Paris agora em abril, afirmou que lê — livros, não documentos de trabalho — todos os dias, "ou cedo de manhã, ou à noite".
Quando Macron assumiu a presidência, em 2017, divulgou-se sua foto oficial como chefe de Estado. O presidente é mostrado em uma pose relativamente informal e com ar decidido, em frente à sua escrivaninha no Palais de l´Élysée. Na época, analisei o resultado em um texto intitulado "Uma foto e três livros". O que me motivou foi a presença, sobre o móvel, de três volumes publicados na prestigiosa coleção da Pléiade, da editora Gallimard: as "Memórias" de Charles de Gaulle, "O vermelho e o negro", de Stendhal, e "Os frutos da terra", de André Gide.
A presença de um presidente no Festival do Livro de Paris não parece ser........
