Opinião | Xi Jinping implodiu o topo do poder militar chinês – e essa é a história
E se o Brasil tentasse copiar a China para se desenvolver?
Desenvolvimento chinês está umbilicalmente ligado ao seu modelo político e econômico. Crédito: Bárbara Pereira/Estadão
Nesse final de semana, a imprensa estatal chinesa noticiou que o general Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central e efetivamente o número dois das Forças Armadas do país, e o general Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto, foram colocados sob investigação por “graves violações disciplinares e legais”. A notícia rodou o mundo.
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Zhang Youxia, veterano de guerra, filho de um herói revolucionário, era, aos 75 anos, o general mais poderoso da China – e, por muito tempo, foi considerado intocável dentro do Exército.
Publicamente, Pequim não divulga quais foram as suas “graves violações”. Mas segundo o Wall Street Journal, o general foi acusado, em conluio com Liu Zhenli, de vazar segredos do programa nuclear chinês aos Estados Unidos, uma acusação gravíssima de potencial traição à pátria. A reportagem diz que o general foi acusado de ter montado uma facção dentro do Exército que poderia estar agindo como um poder paralelo.
Nos últimos dias, nas redes sociais, circularam boatos de todo tipo, inclusive versões delirantes de que o general tentou um golpe de Estado.
Há boas chances de nada muito espetacular ter acontecido. Expurgos desse nível no Exército chinês não são incomuns, e, sob Xi Jinping, costumam terminar em punições exemplares.
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O histórico é longo.
Entre 2014 e 2015, Xi derrubou dois ex-vice-presidentes da Comissão Militar Central – Xu Caihou e Guo Boxiong – acusados de liderar um esquema de venda de cargos e patentes. Xu morreu de câncer antes de ser julgado. Guo foi condenado à prisão perpétua.
Depois disso, outros generais de peso tiveram destinos parecidos. Em 2019, Fang Fenghui, ex-chefe do Estado-Maior, foi condenado à prisão perpétua por corrupção. Zhang Yang, então chefe do Departamento Político do Exército, se suicidou em 2017 enquanto ainda era investigado.
Em 2023,........
