Notícia | Atlético-MG planeja reestreia do Manto da Massa, após troca de fornecedor e R$ 93 milhões em vendas
Entenda a briga judicial entre sócios do Sport e FFU por contrato de R$ 104 milhões
Rodrigo Capelo explica a batalha na Justiça que o clube enfrenta e pode ter que devolver valores. Crédito: Produção: Vitória Schmitz/Fotografia e som: Felipe Oliveira (Felps) e Lucas Ghitelar/Edição: Laís Nagayama
Após trocar a fornecedora de materiais esportivos para 2026 — saiu Adidas e entrou Nike na virada do ano —, o Atlético-MG está na expectativa de relançar um dos projetos mais bem-sucedidos do varejo esportivo, o “Manto da Massa”.
O ano passado foi o primeiro em que o clube não organizou um concurso para a torcida desenhar o terceiro uniforme. Nos cinco anos anteriores, atleticanos apresentaram ideias para o design e posteriormente compraram as próprias peças.
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Na somatória dos cinco anos de atividade, de 2020 a 2024, foram vendidas cerca de 460 mil peças. A receita bruta chegou a R$ 93 milhões, antes de custos e impostos.
2020 — R$ 19 milhões em receita — 110 mil peças vendidas
2021 — R$ 27 milhões em receita — 120 mil peças vendidas
2022 — R$ 24 milhões em receita — 132 mil peças vendidas
2023 — R$ 12 milhões em receita — 40 mil peças vendidas
2024 — R$ 11 milhões em receita — 58 mil peças vendidas
Um dos motivos para não ter havido um concurso no ano passado foi, justamente, a troca de fornecedoras. A Adidas assumiu a produção dos materiais em dezembro de 2021, no lugar da marca francesa Le Coq Sportif. Durante esse período, a empresa alemã deu espaço para que outra fabricante, a Braziline, produzisse a terceira camisa.
Agora, com a entrada da Nike, falta o alinhamento entre clube e representantes da companhia americana para que o conceito seja renovado. Ela tem preferência para tocar o projeto, mas esbarra no longo prazo que exige para a produção de uniformes. Marcas estrangeiras costumam demandar de 12 a 18 meses de antecedência.
Caso a fornecedora não assuma a tarefa, a alternativa para agilizar o lançamento de um manto inédito já em 2026 seria o Atlético-MG encontrar nova solução “caseira”, com uma terceirizada que assuma a fabricação. Neste caso, a Nike precisa dar aval para a operação, e o uso do terceiro uniforme em partida oficial se torna improvável.
A estratégia comercial
O “Manto da Massa” começou em meio à pandemia, quando foram vendidas 100 mil camisas em apenas uma semana. Quem comanda a estratégia atribui o sucesso à inversão da lógica industrial de produção, mais até do que à estética criada por fãs.
Historicamente, o varejo esportivo opera com alto risco. Clube e fornecedora estimam a demanda, compram tecido, produzem, estocam e tentam vender. Se o time entra em crise técnica, o produto encalha nas lojas e vira prejuízo para todas as partes.
Ao possibilitar que o torcedor compre a camisa meses antes da entrega, o clube mineiro eliminou o risco do estoque e gerou um fluxo de caixa imediato.
“O sucesso não foi o desenho, foi o modelo de negócio. Nós desenhamos uma operação em que o risco é zero. O torcedor financia a produção. Isso é música para um clube de futebol, que vive com o fluxo de caixa estrangulado”, diz Reginaldo Diniz, CEO da agência End to End, parceira do Atlético-MG na iniciativa.
Hoje o risco para o Manto da Massa é a saturação. Em 2023 e 2024, os números ficaram abaixo das temporadas anteriores. O desafio após a chegada da Nike é encontrar meios para reaquecer a campanha e incrementar o faturamento.
Diniz, da End to End, acrescenta outro risco ligado à saturação. Depois que o Atlético-MG foi bem-sucedido com o projeto, adversários como Fortaleza e América-MG, passando por times da Série B, decidiram replicar a modelagem financeira da ação.
“O desafio agora é evitar a banalização. Quando todo mundo faz, a margem cai e a novidade vira paisagem. Se virar paisagem, o torcedor para de financiar. A gente precisa inventar a próxima alavanca, porque a novidade estética acabou”, afirma.
