Opinião | A virada invisível: por que ainda contamos a história errada sobre a transição climática
Há uma história extraordinária se desenrolando diante de nós. Enquanto o debate público insiste em enquadrar a crise climática com as lentes de uma narrativa antiga, marcada pela lógica da escassez e pela polarização, a realidade econômica e tecnológica avança de forma concreta, não como promessa ou hipótese, mas como transformação material já em curso.
PUBLICIDADE
Em 2024, 91% dos novos projetos de energia renovável em escala comercial no mundo foram mais baratos do que alternativas fósseis, segundo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, em inglês). O custo do armazenamento em baterias caiu mais de 90% desde 2010. E a expansão solar continua pressionando tarifas para baixo: a IRENA projeta uma queda de até 40% sobre os valores atuais até 2030. Trata-se de uma mudança estrutural, que posiciona a economia de baixo carbono como um vetor de competitividade.
Os países que compreenderam essa virada já colhem resultados concretos. A Espanha, que no passado recente cobrava uma das tarifas de eletricidade mais altas da Europa, reduziu custos ao acelerar a geração de energia solar e eólica. Com mais de 98% de sua matriz vinda de energia limpa (eólica, hidrelétrica, solar e biomassa), o Uruguai gerou empregos e passou a exportar energia renovável. A Califórnia, marcada por blecautes nas décadas passadas, vem estabilizando progressivamente seu sistema com baterias de grande escala. Fora do radar das potências tradicionais, o Paquistão vive uma das maiores revoluções em curso: em apenas três anos, instalou uma capacidade solar distribuída superior à do Canadá, França, Nova Zelândia e Reino Unido juntos. Esses casos não são exemplos isolados. Eles revelam o alcance global da transição.
A velocidade das mudanças........
