Opinião | Ranking da Glória Eterna: quais foram os melhores times brasileiros campeões da Libertadores?
São Paulo e Palmeiras garantem vaga na semi do Paulistão em rodada marcada por fala machista
Vitória são-paulina é marcada por declaração lamentável de zagueiro do Bragantino e time de Abel goleia o Capivariano. Crédito: TV Estadão
São 25 times brasileiros campeões da Libertadores da América. Difícil não ser injusto com 15 deles. Como a campanha arrebatadora do “Eu Acredito” atleticano, do Galo Doido de Cuca, em 2013 (até livro oficial escrevi). Como a primeira Copa do brasileiro com melhores números (Palmeiras de 1999), time que teve a campanha mais difícil de todas (também por isso foram cinco derrotas), e foi tema do terceiro documentário que roteirizei e dirigi. O Inter de 2006 de Abel Braga, que só perdeu um jogo, e desbancou o tetra continental do São Paulo.
O Santos de Neymar, Muricy e Ganso também foi outro grande campeão, em 2012. A arrancada emocionante como a final do Botafogo com um a menos em Núñez, em 2024. Os times campeões de tudo com Telê, em 1992-93, pelo São Paulo. O Flamengo tetra em 2025, contra um grande vencedor como Abel do Palmeiras.
Pode me cornetar. É muita equipe bom que ficou de fora. Mas os meus 10 eleitos, difícil achar defeitos neles. Não nas minhas escolhas. A corneta é livre.
Luiz Felipe Scolari fez o que gostava. Fazer a diferença em casa na primeira partida, e depois administrar a pressão e sofrimento no jogo de volta. Com alguns requintes de crueldade com o coração tricolor. Foram oito vitórias, quatro empates, e duas derrotas para o Palmeiras. A segunda foi de 5x1. Mas o gol de Jardel, no início do duelo no Palestra, manteve a vantagem conquistada no 5x0 na ida, no Olímpico. O título veio em Medellín, no empate contra o Atlético Nacional.
Danrlei; Arce, Rivarola, Adilson e Roger; Dinho, Goiano, Carlos Miguel e Arilson; Paulo Nunes e Jardel.
O time decorado pelos gremistas e pelos muitos rivais daquela era multicampeã.
Os times de 1992-93 eram melhores. Tinham mais craques. Também foram campeões mundiais ao final de cada temporada. Mas a campanha com Leão e depois Paulo Autuori foi mais consistente: nove vitórias, quadro empates, uma derrota. Rogério Ceni fazendo milagres na meta e gols em um time que perdeu gente importante na campanha como Grafite, mas recuperou um craque como Amoroso, e goleou na final o Athletico Paranaense. Tricolor tricampeão.
Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Alex; Cicinho, Mineiro, Josué e Júnior; Danilo; Amoroso e Luizão.
8º Corinthians (2012)
O primeiro campeão invicto desde o Boca, em 1978 (então com apenas seis partidas). O “nunca serão” que foi irrepreensível a partir do mata-mata. Cássio estreou contra o Emelec, defendeu aquele chute do Diego Souza contra o Vasco, na vitória com aquela cabeçada de Paulinho no Pacaembu. Emerson Sheik fez aquele golaço na Vila Belmiro que encaminharia a classificação contra o então campeão Santos de Neymar. Na Bombonera, Romarinhoooo! No Pacaembu, Sheik comeu a bola e o dedo do Caruzzo do Boca. O time de Tite:
Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf e Paulinho; Jorge Henrique, Danilo e Emerson Sheik; Alex.
Foram 8 vitórias e 6 empates na campanha.
O melhor campeão invicto do século. Foram 12 vitorias e um empate apenas para o time que não começou bem com Paulo Sousa, mas acabou campeão da Copa do Brasil e da Libertadores com Dorival Júnior. O único empate foi na fase de grupos. Então foram só vitórias contra Tolima, Corinthians, Vélez e Athletico Paranaense, e com duas goleadas.
Santos; Rodinei, David Luiz, Leo Pereira e Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Everton Ribeiro e Arrascaeta; Gabigol e Pedro.
Bicampeão. O único a ganhar duas vezes no mesmo ano o torneio. Clube com melhor média de gols da história, tem quase todos os melhores números entre os brasileiros. Só não tem mais títulos do que o Flamengo. Adversário derrotado no Centenário depois de grande campanha superando rivais e fantasmas históricos como o São Paulo. Foram 9 vitórias, 4 empates e uma derrota na fase de grupos. A base de Abel Ferreira:
Weverton; Marcos Rocha (Mayke), Gómez, Luan, Piquerez e Gustavo Scarpa; Danilo e Zé Rafael; Raphael Veiga; Rony e Dudu.
Jairzinho vinha da Venezuela. Em baixa. Para ser o furacão que varreu a América e a máquina do Inter de Falcão e Minelli. Na melhor de três decisiva contra o River Plate, golaço de falta e de sobra de esperteza e coragem de Joãozinho deram o título ao grande time de Zezé Moreira, que ainda teve de superar o falecimento trágico do ponta Roberto Batata. Onze vitórias, um empate e apenas uma derrota polêmica para o timaço celeste:
Raul; Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Roberto Batata (Eduardo), Jairzinho, Palhinha e Joãozinho.
Abel Braga não iniciou bem a jornada. Mas a virada final emocionante na primeira decisão em jogo único, nos 2x1 no River Plate (então o grande clube da década), com gols do artilheiro Gabigol (9 gols no torneio), uma assistência das 6 de Bruno Henrique (o maior do torneio), são inesquecíveis como a goleada na semifinal contra o Grêmio. O time de Jorge Jesus sofreu demais contra o Emelec, até com a arbitragem caseira no Rio. Mas também jogou muita bola. A melhor equipe que vi neste século no Brasil. Foram 7 vitórias, 3 empates, 3 derrotas.
Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari e Filipe Luís; Arão e Gerson; Everton Ribeiro e Arrascaeta; Gabriel e Bruno Henrique.
O melhor time que vi na vida no país. Dele escrevi um livro oficial rubro-negro, junto com André Rocha, em 2011. Um sofrimento para superar o violento Cobreloa, clube que também disputava sua primeira Libertadores, com apenas quatro anos de vida. Depois do polêmico jogo-extra que não terminou contra o Atlético Mineiro, no Serra Dourada, campanha vitoriosa até a final, com 2x1 no Maracanã, derrota no Chile por 1x0, e show de Zico no Uruguai, no 2x0. Foram 8 vitórias, 4 empates, e a derrota na pancadaria e baixaria em Santiago. A base que arrancou para o título do Rubro-Negro de Carpegiani (e, antes, de Dino Sani):
Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade e Adílio; Tita, Zico e Lico; Nunes.
Nove vitórias, seis empates, duas derrotas. O melhor ataque e a maior goleada (9x1 no Cerro Porteño). Na decisão, o time de Pelé ganhou do então bicampeão Peñarol por 2x1, no Uruguai. Perdeu em jogo de baixaria e confusão na Vila (2x3). E encerrou o papo com categórico 3x0 no jogo final, em Núñez.
Gylmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.
A equipe de Lula. A melhor que tivemos na história. Ela podia ser a primeira colocada do ranking, também. Não fosse a derrota-empate do vergonhoso segundo jogo decisivo.
Bicampeão. Tinha Pelé. Ponto. E não só ele. Coutinho jogou demais. Ganhou do Boca Juniors no Maracanã por 3x2. Na finalíssima, 2x1 na Bombonera hiperlotada e hostil. Bi invicto, com 4 vitórias e 3 empates.
Gylmar; Dalmo, Mauro, Calvet e Geraldino; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.
O time de Lula. Também bicampeão mundial. E base do Brasil bicampeão mundial em 1962, no Chile, com ótima parte do Botafogo, também. Pelé desequilibra a balança. Mas não só ele. Em campeonatos muito mais difíceis pelas condições extracampo. E pelos clubes não darem tanta bola ao torneio, deficitário até os anos 1990.
