menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Notícia | O que pode mudar no futebol após novo caso de racismo apontado por Vini Jr?

12 0
21.02.2026

Show ou futebol? CBF impõe regras para eventos em estádios; entenda como funcionam

Conheça detalhes dessa determinação e como a medida afeta a realização de eventos em campos de futebol. Crédito: Marcel Rizzo | Estadão

A suposta injúria racial sofrida por Vinícius Júnior em Benfica x Real Madrid, no meio da semana, deve ter consequências nas regras que tentam minimizar o preconceito no futebol.

A primeira pode ser proibir que jogadores tapem a boca com a camisa para falar com outros atletas ou árbitros. Foi o que fez o argentino Gianluca Prestianni no momento em que Vini o acusou de tê-lo chamado de macaco.

O tema foi levantado em entrevista à Sky News pelo ex-zagueiro francês Mikaël Silvestre, com carreira consolidada na Inglaterra. Silvestre faz parte de um painel formado por ex-profissionais, criado pela Fifa e que tem como função debater medidas que possam diminuir casos como o visto no Estádio da Luz.

Filipe Luís recua após repercussão negativa de sua fala e publica nota em apoio a Vini Jr.

Filipe Luís recua após repercussão negativa de sua fala e publica nota em apoio a Vini Jr.

Benfica investigará dois torcedores por gestos racistas contra Vini Jr.

Benfica investigará dois torcedores por gestos racistas contra Vini Jr.

A federação internacional modificou seu código disciplinar na tentativa de que punições esportivas mais graves intimidassem os racistas, como uma multa altíssima (pode ultrapassar os R$ 30 milhões) e até rebaixamentos ou eliminações de competições. O problema é que, na prática, isso depende de que essas regras sejam aplicadas por confederações continentais, federações nacionais ou ligas, o que muitas vezes não ocorre.

Há o entendimento entre especialistas de que somente com as sanções esportivas severas o racismo será minimizado. Existe também a percepção de que o protocolo de três passos criado pela Fifa para ser implementado durante os jogos, com o árbitro fazendo o sinal com os braços cruzados sobre a cabeça, o que identifica que um ato de preconceito foi denunciado, funciona melhor quando a discriminação parte de torcedores, mas a atuação fica limitada quando é um atleta, como acusam de ter ocorrido em Portugal.

Paralisar a partida por alguns minutos, com avisos em telões e alto-falantes para que se encerrem as injúrias raciais, seguida por suspensão e até o cancelamento do evento, se as ofensas não pararem, é mais difícil de ser aplicado se um jogador comete a injúria. O grupo, portanto, deve debater em próximos encontros medidas efetivas que poderiam ser tomadas quando o caso ocorre dentro de campo, e não fora dele.

A repercussão entre personalidades que estão em atividade no futebol chamou a atenção desta vez. Diversos treinadores e jogadores deram declarações sobre a acusação de injúria racial, mas também sobre o fato de Vini Jr. ser criticado pela maneira como comemorou seu gol, como se isso permitisse a ofensa supostamente recebida.

Alguns deles serão convidados a participar de reuniões sobre o tema, e Vincent Kompany, técnico do Bayern de Munique, deve ser um deles após abordar o assunto como um dos principais críticos daqueles que atacaram o brasileiro.


© Estadão