Opinião | No poder por lealdade a Chávez, Maduro parece ter sido traído por aliados de primeira hora
Trump deixa claro ao mundo com prisão de Maduro que quem manda na América Latina é ele
Ataque à Venezuela é mais um sintoma do fim do sistema de regras criado pelos EUA após a 2ª Guerra. Crédito: TV Estadão
Quando Hugo Chávez adoeceu do câncer que o mataria, foi seu entristecido chanceler quem deu ao mundo a notícia que mudaria para sempre os rumos da revolução bolivariana.
PUBLICIDADE
“O comandante Chávez está lutando a batalha pela sua vida”, disse o então ministro de Relações Exteriores Nicolás Maduro.
Até então, tido como um moderado dentro do complexo jogo de poder dentro do chavismo, Maduro tinha poucas atribuições além da fidelidade canina que prestava ao tenente-coronel. E foi essa lealdade que fez o caudilho ungí-lo como herdeiro de seu projeto político.
A doença de Chávez se tornou pública em maio de 2012, a pouco mais de seis meses da eleição que lhe daria um quarto mandato presidencial. Ele morreria em março do ano seguinte. Estava condenado.
Nos 13 anos que antecederam aquela tarde de maio de 2012, Chávez nunca se preocupou em cultivar sucessores. Muito pelo contrário. Gostava de dizer, como todo caudilho, que ele era o povo e o povo era Chávez. Muitos foram os auxiliares próximos que o tenente-coronel rifou, por medo de competição ou por concentração de poder: Raúl Baduel, Henri Falcón, Jorge Giordani são apenas alguns deles.
Publicidade
Quando Chávez ficou doente, como em todo movimento populista autoritário, as facções que compunham o bicho de sete cabeças do chavismo, passaram a se digladiar para sobreviver à mudança de regime.
À época ainda longe do ditador que conhecemos hoje, Maduro representava a chamada ala “moderada” do regime. Elias Jaua era o “ideólogo”. Rafael Ramírez, o homem do cofre da PDVSA, representava o setor petroleiro, e Diosdado Cabello, os militares.
Outros 13 anos depois, uma nova troca de guarda ocorre no jogo de tronos da corte chavista. Alguns protagonistas mudaram - Jaua perdeu força e Ramírez rompeu com a ditadura de Maduro - mas alguns coadjuvantes continuam.
Diosdado Cabello, o eterno aspirante, segue na corte, agora comandando a repressão da ditadura. O Exército, que ganhou muita influência política e econômica ao longo dos 13 anos de madurismo, é chefiado pelo general Vladimir Padrino.
Por que Trump se recusou a apoiar a Nobel da........
