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Opinião | É óbvio que as elites políticas irão tentar mais uma vez um ‘acordão’ em favor da impunidade

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21.02.2026

O caso Master e as fraudes no INSS não saem das manchetes. A cada dia, novas revelações mostram uma grande dimensão financeira e crescentes questões éticas, regulatórias e políticas.

Além disso, uma sucessão de problemas em tribunais regionais e superiores vem desgastando fortemente a imagem do Judiciário. Finalmente, temos a contínua expansão dos supersalários em todo o serviço público, inflados pelos chamados “penduricalhos”.

Tudo isso está gerando muita revolta em boa parte da população, cada vez mais evidente nas pesquisas, nas redes sociais e na imprensa.

Antes destes eventos recentes, o Worldwide Governance Indicators do Banco Mundial já revelava uma forte deterioração em nosso país.

De fato, entre 2011 e 2024, o último dado disponível, a Qualidade Regulatória caiu 13%, a Rule of Law caiu 12% e o Controle da Corrupção, incríveis 24%, certamente devido, especialmente, ao desmonte da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal.

Acredito que esta situação vai acabar extravasando de alguma forma, até porque é óbvio que as elites políticas no Congresso, no Executivo e no Judiciário irão tentar mais uma vez um “acordão” em favor da impunidade, como no caso relembrado.

Os eventos aqui descritos deverão levar a dois resultados. Primeiro: mais um ano de crescimento baixo, talvez algo como 1,8% de expansão do PIB. Segundo: a eleição deverá ser muito nervosa e apertada, com uma parcela relevante da população rejeitando a polarização que se repete.

O problema maior, entretanto, fica para 2027 em diante. Nesse sentido, seria muito importante o País discutir agora por que perdemos a direção do crescimento sustentável e que estrutura de política econômica e incentivos são necessários para construirmos um novo horizonte.

Embora não exista apenas um único caminho, o ponto inicial mais relevante é o encaminhamento da questão fiscal, dado que uma ampla maioria dos economistas admite que a dívida pública não pode continuar a crescer continuadamente, sob pena de nunca termos uma taxa de juros mais estimulativa do investimento.

O segundo ponto tem a ver com o nosso relacionamento com o exterior. Creio que a experiência do ano passado sugere que o nosso caminho deverá continuar a buscar a diversificação de mercados e produtos.

Em terceiro lugar, é importante aproveitar a necessidade de descarbonização para avançar na geração de valor.

Mais que tudo, como ampliar o conhecimento necessário ao atendimento dos pontos mencionados?


© Estadão