Notícia | ‘Aos 50 anos, tive tempo de escrever’, conta escritora Valérie Perrin
Valérie Perrin teve o primeiro romance publicado quando estava prestes a completar 50 anos de idade. Fotógrafa, roteirista e mãe de filhos pequenos, sobrava pouco tempo nas 24 horas do dia para se dedicar à escrita. Quando chegou perto das cinco décadas, com os filhos no Ensino Médio, ela pôde tirar o tempo necessário para concluir a história que, há muito, carregava consigo.
À Coluna, Valérie reflete: “ter 50 anos é um presente. É a idade mais bonita para uma mulher. Depois disso, não existe idade para ser feliz, mas me parece que, aos 50 anos, estamos na força, na potência e ainda podemos construir muitos projetos”. Hoje, perto dos 60 e depois de vender 5 milhões de livros mundialmente, a escritora se diz cheia de desejos e vontades.
A autora de ‘Três’, romance que virou febre no Brasil em 2025, terá o livro ‘Esquecidos de Domingo’ lançado no Brasil na segunda, 2. Embora seja novidade nas prateleiras brasileiras, a obra, na verdade, foi a estreia de Valérie como escritora.
A narrativa acompanha Justine, enfermeira em uma casa de repouso em Borgonha, que registra histórias contadas por uma paciente centenária. O passado da idosa forma uma série de ligações misteriosas que fazem a protagonista encarar o presente de outra forma — inclusive a tragédia que tirou a vida dos pais.
A escritora conta que pensou no romance por mais de 10 anos e o classifica como o mais poético dos seus livros — e, talvez, o mais pessoal. “Falo dos meus avós, do meu filho quando era adolescente e da minha filha, mas sem nunca citá-los pelo nome, claro — são personagens, mas coloquei muito de mim em ‘Os Esquecidos de Domingo’. Sempre tive uma paixão pelas pessoas idosas. E, definitivamente, pelo amor que une os seres”, completa.
As relações familiares e o luto são temas que permeiam os livros de Valérie, mas são abordados de forma leve. Além de ‘Esquecidos de Domingo’, também é autora de ‘Água Fresca Para as Flores’, que se passa em um cemitério, ‘Querida Tia’, sobre uma sobrinha que recebe a notícia da morte de uma tia que já havia morrido e ‘Três’, história de amigos que se desencontram. Para a autora, “estar vivo pode significar amar a vida, mas também pode que ela pode ser de uma crueldade inimaginável”.
A leveza vem da opção de compartilhar o amor pelas pessoas — especialmente “os discretos, os humildes, os luminosos, aqueles que eram, que podem ferir”.
Avessa aos números de vendas, Valérie conta que percebeu o impacto das obras entre o público brasileiro através do Instagram: centenas de postagens na rede social, especialmente sobre ‘Três’. Os livros da francesa ganham capas especiais para o leitor daqui — ilustrações elogiadas pela escritora. De acordo com a Intrínseca, 240 mil exemplares de obras da autora foram comercializados no Brasil.
‘Esquecidos de Domingo’ será lançado no Brasil pela editora Intrínseca e chega às livrarias físicas oficialmente na segunda, 2.
