Torneiras secas, desculpas molhadas. A culpa da falta de água na Costa deve ser do PREC!
Não são de hoje, longe disso, os problemas de abastecimento de água na Margem Sul no verão. Têm pelo menos uns 45 anos. E as coisas neste país raramente mudam… para melhor.
Entre 1976 e 1981, na infância, passei temporadas em agosto na Costa da Caparica. A minha mãe arrastava a família (os meus avós, as minhas duas tias e a mim) para um apartamento frente à praia que todos os anos arrendava por duas semanas. Era uma espécie de tradição familiar que, também todos os anos, era acompanhada por… falta de água.
Lembro-me bem de ver, da varanda do sexto andar do prédio, o meu avô, ainda saudável – o Alzheimer que o atacou muito cedo, ainda antes de fazer 60 anos, foi uma das razões de termos deixado estes périplos estivais – a vir do mar carregado com dois baldes de água para os sanitários.
Não se sabia bem por que razão faltava água… Afinal, a Costa era pouco mais do que uma aldeia de pescadores e os prédios altos frente ao mar resumiam-se a dois. Nas ruas, muitos cães abandonados tentavam apanhar a comida que podiam nas laterais da Rua dos Pescadores, a única artéria verdadeiramente comercial da povoação.
Naquele tempo, esses mesmos pescadores puxavam na praia as redes com o peixe fresco e o meu avô por vezes até os ajudava, antes de ir reencher os baldes pesados da água salgada que o autoclismo público nos negava. A falta de serviços essenciais era talvez um mal passageiro – eu sabia lá o que era o PREC, mas tinha a ideia de que isto havia de melhorar.
Anos mais tarde, já na juventude, passei outras temporadas na Aroeira, desta feita com os........
