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Torneiras secas, desculpas molhadas. A culpa da falta de água na Costa deve ser do PREC!

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08.07.2026

Não são de hoje, longe disso, os problemas de abastecimento de água na Margem Sul no verão. Têm pelo menos uns 45 anos. E as coisas neste país raramente mudam… para melhor.

Entre 1976 e 1981, na infância, passei temporadas em agosto na Costa da Caparica. A minha mãe arrastava a família (os meus avós, as minhas duas tias e a mim) para um apartamento frente à praia que todos os anos arrendava por duas semanas. Era uma espécie de tradição familiar que, também todos os anos, era acompanhada por… falta de água.

Lembro-me bem de ver, da varanda do sexto andar do prédio, o meu avô, ainda saudável – o Alzheimer que o atacou muito cedo, ainda antes de fazer 60 anos, foi uma das razões de termos deixado estes périplos estivais – a vir do mar carregado com dois baldes de água para os sanitários.

Não se sabia bem por que razão faltava água… Afinal, a Costa era pouco mais do que uma aldeia de pescadores e os prédios altos frente ao mar resumiam-se a dois. Nas ruas, muitos cães abandonados tentavam apanhar a comida que podiam nas laterais da Rua dos Pescadores, a única artéria verdadeiramente comercial da povoação.

Naquele tempo, esses mesmos pescadores puxavam na praia as redes com o peixe fresco e o meu avô por vezes até os ajudava, antes de ir reencher os baldes pesados da água salgada que o autoclismo público nos negava. A falta de serviços essenciais era talvez um mal passageiro – eu sabia lá o que era o PREC, mas tinha a ideia de que isto havia de melhorar.

Anos mais tarde, já na juventude, passei outras temporadas na Aroeira, desta feita com os........

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