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O medo da IA é só mais um capítulo de quem vive do sacerdócio do pânico

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05.08.2026

Há qualquer coisa de tragicómico nos três mil "especialistas" e gurus que assinaram mais um manifesto apocalíptico exigindo guardrails e instituições que, na prática, abrem caminho a uma hiper-regulação da IA, tal como o DN noticiou na passada segunda-feira. Sob a bandeira do altruísmo humano (como sempre), a iniciativa We Must Act Now reedita o mais antigo e gasto truque da história política: usar o medo para concentrar o poder, criar burocracias de tutela, travar a inovação e o progresso científico que, só para dar um exemplo, em menos de 60 anos foi capaz de inventar a primeira máquina voadora e pôr o Homem na Lua.

A ilusão de que a tecnologia pode ser "desinventada" ou contida por decretos morais não é nova – e vem sempre do mesmo tipo de mentalidades. Terá tido o seu momento mais alto em 1946, quando Harry Truman, provavelmente o “político mais provinciano” (como lhe chamou o historiador John Lewis Gaddis) que alguma vez residiu na Casa Branca, julgou ser possível monopolizar o átomo através do Plano Baruch e da burocracia estatal. Pior! Não apenas os soviéticos detonaram a sua bomba três anos depois – resultado de planos furtados aos americanos –, como obviamente nem quiseram ouvir falar em qualquer hipótese de entregar o controlo........

© Dinheiro Vivo