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Produtividade: o que fazemos com a cultura que temos

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23.10.2026

Resolver uma urgência depressa, porque duas ou três pessoas conhecem bem o Cliente, percebem o processo e conseguem encontrar uma saída, tem valor. Pode salvar uma entrega, evitar uma paragem ou proteger uma relação comercial. Mas, se a mesma urgência regressa todas as semanas, a empresa pode ter ficado muito boa a resolver aquilo que nunca chegou a corrigir. A mesma capacidade de improvisação que, num momento ajuda o negócio, pode, noutro, estar a esconder um custo de funcionamento.

Quando a cultura entra na discussão sobre a produtividade portuguesa, tende a acrescentar uma lista conhecida: planeamos pouco, colaboramos pouco, concentramos decisões, improvisamos demasiado. Alguns destes comportamentos têm custos reais e precisam de mudar. Ainda assim, há qualquer coisa de incompleto numa análise da cultura feita, quase exclusivamente, a partir daquilo que os outros fazem melhor.

Nenhuma empresa séria definiria a sua estratégia dessa forma. Uma administração precisa de saber onde os concorrentes têm vantagem e onde a empresa está a perder margem, prazo, qualidade ou acesso ao cliente. Mas também precisa de saber o que possui que pode valer mais num determinado mercado: conhecimento, relações, capacidade técnica, rapidez, uma forma particular de resolver um problema. Passar anos a tentar aproximar-se dos concorrentes, sem perceber onde existe alguma coisa própria, que possa ser explorada dificilmente produz uma posição forte. Na discussão sobre produtividade, a cultura portuguesa é muitas vezes analisada como se essa segunda metade não existisse.

A investigação sobre práticas de gestão........

© Dinheiro Vivo