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De Costa Silva a Draghi, Palma e Robinson: o que ainda depende das empresas

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07.08.2026

Portugal pode decidir que a reindustrialização, a transição energética, a digitalização ou as tecnologias da saúde são prioridades. Pode orientar fundos, criar instrumentos, alterar regras e mobilizar instituições. Ainda assim, nenhuma dessas decisões diz a uma empresa concreta o que deve fazer, para quem ou com que vantagem.

A Visão Estratégica coordenada por António Costa Silva procurou dar ao país um horizonte mais longo para a recuperação. Os seus dez eixos atravessavam infraestruturas, qualificações, ciência, saúde, reindustrialização, reconversão industrial, energia, território, cidades e serviços. Era um enquadramento amplo das mudanças consideradas necessárias e das áreas para onde deveriam convergir políticas públicas, investimento e iniciativa económica.

Mario Draghi tornou entretanto mais exigente o resultado esperado dessas mudanças. A Europa não enfrenta apenas uma necessidade de investir mais. Enfrenta uma distância persistente na inovação, custos de energia elevados, fraca progressão da produtividade e dependências externas que passaram a representar riscos económicos e políticos. A digitalização e a descarbonização serão relevantes na medida em que permitirem às empresas europeias inovar, ganhar escala, reduzir vulnerabilidades e competir em condições mais difíceis.

O estudo de Nuno Palma e James Robinson acrescenta outra limitação. Portugal não sofre por falta de diagnósticos ou de reformas identificadas. Sofre quando as instituições demoram, decidem de forma imprevisível e distribuem a capacidade de execução por prioridades que não chegam a funcionar como prioridades reais. Uma estratégia pode estar correta e o financiamento existir, mas a mudança continuar bloqueada........

© Dinheiro Vivo