Presença e ego ou porque o trabalho remoto aflige tanto
Desde 2020 que as empresas juntaram um desafio a tantos outros que já tinham para gerir talento. A questão do trabalho remoto, híbrido ou presencial volta a ocupar a agenda, com estudos muito curiosos a fazerem-nos pensar. Numa altura em que Portugal se debate com graves problemas de produtividade – aliás, a principal razão para ter sido apresentado o famoso ‘pacotão laboral’ – regresso ao tema porque me parece importante deixarmos de ter esta espécie de dissociação cognitiva que, muitas vezes, nos impede de tomar decisões baseadas em factos.
Os estudos foram-se multiplicando mas, até agora, não há qualquer indicação concreta e com dados robustos que permitam aferir que o regresso aos trabalho 100% presencial, nos casos em que são possíveis outros modelos, tem um impacto direto na produtividade. Aliás, os indicadores disponíveis até sugerem o contrário – o regresso ao escritório a 100% parece ter um impacto negativo no cansaço, na saúde mental e na satisfação dos trabalhadores, também pelo tempo passado em viagens e pelos custos que essa deslocação implica. Há, naturalmente, exceções, para os casos........
