A fórmula que decide quando paramos de trabalhar
Portugal ganhou quase um milhão de habitantes e sem que ninguém tivesse nascido. O INE reviu em alta a população residente, para 11,4 milhões, e essa atualização poderá obrigar a alterar as tábuas de mortalidade. Parece um detalhe estatístico, mas não é. É através dessas tábuas que se calcula a esperança de vida aos 65 anos, uma variável central para determinar a idade legal de acesso à reforma e o fator de sustentabilidade.
Uma revisão estatística pode, assim, alterar silenciosamente o momento em que milhões de portugueses deixam de trabalhar. O ponto mais interessante é que ninguém toma uma decisão política nova. A fórmula já existe e limita-se a absorver novos dados.
O INE ainda não divulgou o efeito final da revisão em alta da população sobre a esperança de vida aos 65 anos. Se o calendário habitual for mantido, em novembro conhecer-se-á o novo valor provisório que servirá de base aos cálculos seguintes. Até lá, quem está próximo da reforma permanece dependente de uma operação estatística cujo sentido final ainda não é conhecido.
O fator de sustentabilidade foi uma resposta racional a um problema real. Uma população que vive mais tempo coloca pressão sobre sistemas de pensões desenhados para outro ciclo demográfico. A automaticidade tem virtudes evidentes: dá previsibilidade, reduz a arbitrariedade e protege........
