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O menino que queria ser padre

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Havia um menino que pensava ter Deus o hábito de passar, de madrugada, pelas aldeias e, por isso, acordava muito cedo. Carlos, Diogo, Bruno? Não me recordo do seu nome!

Enquanto o mundo ainda bocejava, ele caminhava pelos campos, convencido de que as primeiras pegadas sobre o orvalho podiam muito bem ser as de Deus. Conversava com as oliveiras antigas, porque lhe pareciam profetas silenciosos. Perguntava às videiras como era possível que um tronco retorcido produzisse uvas tão doces. Gostava das figueiras, porque Jesus, um dia, lhes dirigira a palavra, como se tivessem ouvidos. Mas eram as amendoeiras as suas preferidas, porque floriam quando o inverno ainda parecia mandar em tudo e vestiam-se de branco quando as restantes árvores continuavam despidas.

Um dia, o seu pároco, que também era madrugador, encontrou-o e disse-lhe:

- Gosto das amendoeiras porque são as primeiras a acreditar na primavera.

O menino guardou aquela frase como quem guarda uma semente ou um tesouro.

Quando a professora perguntou a cada um o que deseja vir a ser, as respostas brotaram, de forma explosiva e muito variada. A desse menino, contudo, foi serena e firme:

Os colegas olharam para ele como os discípulos para Jesus, quando falou de dar de comer a uma........

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