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Portugal não é a Suíça, mas…

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23.02.2026

Tenho um amigo, trabalhador da construção civil, que emigrou há algum tempo para a Suíça. Só que estranhei vê-lo por cá na altura do inverno, quando as férias costumam ser no verão. “É que lá – dizia-me ele: – quando neva fortemente as obras no exterior param e o estaleiro fecha. Por isso, aproveito para estar aqui com a família”. Tendo eu ficado a pensar sobre como é que aquele país consegue aguentar, na sua economia e situação financeira, com interrupções laborais destas num setor tão importante para o Estado.

Aguçado pela curiosidade fui informar-me e constatei que a Suíça não entra em guerra desde 1825. Tratando-se de um território que não faz parte da União Europeia (EU) – mas do Espaço Schengen – com uma área 41.285km2 e uma população a rondar os 9,5 milhões habitantes. Números inferiores aos nossos, cuja área territorial é de 92.212km2 e os habitantes andam à volta dos 10,6 milhões de almas. De igual modo fiquei a saber que o PIB suíço, em 2025, ficou acima de 1 bilião de euros, enquanto o português se quedou pelos cerca de 300.000 milhões no mesmo ano. 

Isto, para além de outros fatores, como o da Suíça ser constituída por 60% de alpes e onde se falam quatro línguas nacionais, alemão, francês, italiano e romanche. Uma dificuldade acrescida para quem chega de fora. Pois, para além de albergar o organismo comunitário mundial da Cruz Vermelha, tem a vantagem de ser um país extremamente organizado, disciplinado e rigoroso. Onde impera o respeito, a ordem e o baixo índice de criminalidade, dado ser punida exemplarmente sobre seja quem for o cidadão prevaricador. Pois só assim continua a sustentar o atual sistema bancário eficiente, seguro e próspero e a quem o mundo confia o seu dinheiro.

Com as catástrofes naturais que o país tem vivido, ainda hesitei em escrever este texto. Porém, decidi fazê-lo. Começando por dizer que Portugal não é a Suíça, mas podia estar ao mesmo nível ou, até, superior, senão vejamos: possuímos serras transitáveis, planícies, rios, ribeiros e floresta de uma beleza arrebatadoras; temos uma gastronomia fantástica, um mar imenso e rico; uma costa marítima com estâncias turísticas de topo, num clima de temperaturas amenas; um solo propício à agricultura; uma diversidade de indústrias tecnológicas e outras a produzirem bens de valor acrescentado; um comércio diversificado e uma rede se supermercados de excelência; uma hotelaria pujante, criativa e de qualidade. 

Para além disso, há vinho e azeite de excelência para consumo interno e exportação, os quais têm ganho imensos prémios pela qualidade. Fruta, cereais, leguminosas, etc., fazem parte de um cardápio de alimentos muito consumidos cá e fora do país. E a nossa cortiça? Essa continuará a dar cartas, caso se salvem os sobreiros por causa dos painéis solares. 

Temos uma capacidade turística única, graças à diversidade de oferta. Pois para além dos monumentos, tais como castelos museus e casas apalaçadas brilham o turismo rural e o religioso, de que fazem parte os Santuários, Basílicas e Igrejas. Este último para quem vem em busca de níveis de elevada espiritualidade. Termas, praias, jardins, bosques e inolvidáveis paisagens completam a oferta. E mais, possuímos um setor bancário bem gerido, o que nos dá folga em termos de estabilidade financeira. E a fechar o leque há as excelentes Universidade de onde saem, anualmente, grande número de quadros nunca dantes tão qualificados. 

Se este belo país, que é membro da CE, tem muito daquilo que a Suíça não tem, por que razão não progride para níveis de sustentabilidade superiores aos suíços ou, quiçá, equiparados? Porque se os governantes que vêm exercendo a sua liderança – em democracia, há mais de 50 anos – se deixassem de andar às turras partidárias e a brincar ao socialismo, outro galo cantaria. Pois se nada falta para deixar de andar sempre de mão estendida, está fácil de entender as razões pelas quais continua a arrastar-se pela cauda da Europa.


© Diário do Minho