Fazer tudo o que é possível
A oratória política tem uma particularidade distintiva da de um orador comum. É a de que a frase que se ouve ou se lê pode ter vários sentidos, inclusive, o contrário, da de alguém que não se sente atraído pela arte de Maquiavel.
Vem isto a propósito das palavras do Ministro das Finanças a propósito do Orçamento de Estado para 2027 e, em concreto, das medidas propostas para o sector da habitação. Outros governantes já tinham tomado a mesma frase, para este e/ou outros assuntos, incluindo o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro – "Foi feito tudo o que é/era possível" – como uma afirmação categórica, verdadeira e indiscutível. Evidentemente, não susceptível de verificação. Nunca ninguém conseguiu comprovar isso de "fazer tudo" o que se impunha, nem os mencionados responsáveis, nem nenhum dos que os precederam, o que não desculpa os primeiros.
A afirmação tem........
