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Também se polui o que não se vê

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03.10.2026

Aprendemos, com algum atraso, que um rio pode morrer antes de deixar de correr. A água continua ali, mas já não sustenta a vida que deveria acolher. Talvez precisemos de adquirir uma consciência semelhante acerca do ambiente comunicacional em que vivemos. Também ele pode estar cheio de mensagens e ligações e, no entanto, tornar-se impróprio para uma vida humana digna.

É aqui que a expressão «ecologia dos média» ganha espessura. Obriga-nos a reconhecer que os média constituem um ambiente: não são canais exteriores por onde passam conteúdos previamente formados, mas condições que interferem no modo como vemos, sentimos, desejamos e julgamos. Um ecrã não nos mostra simplesmente o mundo. Pelo formato, pela seleção e pela repetição, ensina-nos silenciosamente a maneira de o olhar.

Um ambiente pode estar degradado mesmo quando nele circulam muitas afirmações verdadeiras. Basta que tudo seja submetido à urgência, que a indignação seja premiada, que a........

© Diário do Minho