menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Cafés de bairro: Pequenas chávenas de bem-estar comum

28 0
25.04.2026

Nos cafés de bairro aprende-se uma forma discreta de cidadania. À primeira vista são apenas balcões gastos, chávenas de café e ruído de talheres. Mas é ali que se treina a arte de viver com os outros. O sociólogo Ray Oldenburg chamou-lhes “terceiros lugares”, lugares entre a casa e o trabalho onde se alimenta a vida comum, se constrói confiança e se tecem laços que nenhuma plataforma digital consegue imitar.

Num tempo em que tantas relações cabem num ecrã, o café de bairro continua a ser um dos poucos sítios em que o corpo conta: o cheiro do café moído, o reconhecimento do rosto habitual, o gesto automático de puxar uma cadeira para quem chega. Essa repetição cria um ritmo, quase um ritual, que faz bem à saúde mental. Estudos sobre estes “terceiros lugares” mostram que quem frequenta regularmente espaços de encontro informais relata maior bem-estar, menos solidão e uma perceção mais positiva da própria vizinhança. Não se trata de ter amigos íntimos, mas de poder........

© Diário do Minho