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A revolução do passo: porque caminhar ainda nos salva

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25.07.2026

Há um gesto tão simples que parece indigno de afirmação: pôr um pé à frente do outro. É precisamente a simplicidade do caminhar que o torna interessantemente explosivo. Num tempo que transforma tudo em desempenho, caminhar permanece uma prática teimosa do sem-meta. Caminhar pode tornar-se desporto, mas não precisa de cronómetro, pódio ou adversário. A sua verdade não se mede, sente-se. A única “performance” que conta é a intensidade do céu, o recorte do horizonte e o sentir do vento no rosto.

Caminhar devolve-nos a escala humana do mundo. A velocidade encurta distâncias à custa de alongar dependências: quanto mais “libertos” de tempo e espaço, mais presos ao sistema que promete essa libertação. O caminhar faz o movimento inverso: aceita a necessidade nua — a sede, a chuva, o declive, o peso — e, nessa aceitação, desfaz a ilusão do indispensável. Descobre-se que muito do que chamamos conforto é apenas uma forma elegante de sujeição:........

© Diário do Minho