Sem lugar à mesa: a manjedoura denuncia o mundo dos excluídos
Há imagens que o tempo não desgasta. A manjedoura é uma delas. Repetida todos os anos em presépios, canções e celebrações, corre o risco de se tornar inofensiva, quase decorativa. Mas a manjedoura não é um enfeite natalício: é uma denúncia. Silenciosa, incómoda e profundamente atual.
O nascimento de Jesus fora de casa, fora da cidade e fora do sistema não foi um acidente romântico. Foi consequência direta de uma ordem social injusta. Um recenseamento imposto pelo poder imperial obriga uma jovem grávida e o seu marido a viajar; à chegada, “não havia lugar para eles”. A frase é curta, mas devastadora. Não havia lugar – não por falta de espaço físico, mas por falta de humanidade.
A manjedoura revela, desde o primeiro instante, um Deus que nasce do lado dos excluídos.........
