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Por Entre Linhas e Ideias

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01.07.2026

Que pode a filosofia dizer quando uma mãe procura um filho entre os escombros? Caros leitores, escrevo com a Venezuela no pensamento e com a sensação que nos atinge quando uma tragédia acontece longe, mas nos entra em casa pela imagem de uma mãe a chorar, de um pai a cavar com as mãos, de uma criança coberta de pó e de uma família que, numa só noite, ficou sem casa e sem futuro.

Há algum tempo escrevi sobre a tragédia do Elevador da Glória, em Lisboa. Agora, a dor mudou de geografia, mas não de natureza, porque uma tragédia é uma ferida que interrompe a vida e nos lembra que aquilo que julgávamos seguro podia desaparecer num instante.

Os gregos pensaram a tragédia como o confronto entre o ser humano e forças que o ultrapassam. Aristóteles dizia que ela desperta compaixão e temor, e é isso que sentimos perante a Venezuela, compaixão porque aquelas pessoas podiam ser nossos familiares, temor porque a natureza não pede licença.........

© Diário do Minho