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“A paz é tudo”

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18.07.2026

Tinha pensado interromper estas partilhas durante estes meses de férias. Um encontro de rua fez-me fez-me mudar de ideias.

No meu programa diário, depois da celebração da Eucaristia, procuro caminhar um pouco pelas ruas da cidade. Há sempre encontros: alguns a recordar o passado, com conversas de memória; outros rotineiros, com diálogo ou sem diálogo. Há um que acontece todos os dias, ou quase todos os dias. Trata-se de um sem-abrigo com quem repito conversas. Nada de novo, mas, da minha parte, um pouco de atenção e, talvez, algumas palavras que possam dar outro sentido à sua vida.

No dia de S. Bento, sábado, onze de julho, foi ele quem iniciou a conversa com uma frase que me deixou a pensar: «A paz é tudo.» O diálogo foi curto, pois não valeria muito a pena prolongá-lo. Quero, neste momento, continuar a pensar em voz alta.

Não me aventuro a levantar conjeturas sobre o problema mais grave da sociedade moderna. Parece que fomos condenados a viver em confrontos bélicos, onde tudo se investe para matar e destruir. Quero situar-me noutro contexto. Tenho de reconhecer que a paz não é algo que se possa ter ou não ter. Só sei que cada um viverá verdadeiramente se ela existir........

© Diário do Minho