A tempestade Kristin e o luto que fingimos não ver
A passagem da tempestade Kristin por Portugal deixou imagens difíceis de esquecer: telhados arrancados, árvores caídas, carros destruídos, famílias sem eletricidade nem água, estradas cortadas, populações isoladas. Durante horas, muitas pessoas viveram com medo dentro da própria casa, a ouvir o vento bater nas janelas e a rezar para que nada cedesse.
E, no entanto, mal o vento acalmou, instalou-se outro silêncio: o da minimização. “Foi só uma tempestade, agora é seguir em frente.”
Este discurso é conhecido. É o mesmo que surge sempre que a perda não encaixa nos critérios socialmente aceitáveis do luto porque, para muitos, só há luto quando há morte. Tudo o resto deve ser rapidamente resolvido, esquecido, ultrapassado, como se o sofrimento tivesse prazo curto e utilidade limitada.
Mas perder a segurança não é........
