Acordos e capitulações
Todos dizem querer acordos. Conduzem à paz, os governos invocam-nos, as instituições vivem deles, as seleções também. Mas, quando chega a hora de cumprir, descobre-se que muitas vezes ninguém entendeu o mesmo texto da mesma maneira – ou, pior ainda, que ninguém quis realmente explicá-lo.
Vivemos dias em que a palavra “acordo” regressou ao centro da atualidade. Fala-se dela nas negociações entre a Rússia, a Ucrânia e nas conversações entre os Estados Unidos e o Irão. E, numa escala menor, mas emocionalmente intensa para os portugueses, fala-se dela no caso Cristiano Ronaldo e na tensão criada na Seleção Nacional.
São mundos diferentes, naturalmente. Uma guerra não se compara a um balneário. A soberania de um povo não se mede pela titularidade de um jogador. Mas há um ponto comum: antes de discutir quem falhou, é preciso saber o que foi combinado.
No caso da Ucrânia, a palavra acordo é especialmente perigosa. Para uns, acordo significa paz. Para outros, pode significar rendição. Para outros ainda, pode ser apenas uma pausa tática até à próxima ofensiva. A grande dificuldade das........
