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As casas para viver

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24.10.2026

No já longínquo ano de 1950 (a 22 de outubro), no decurso de uma tensa reunião do “sindicato” dos realizadores americanos, John Ford – conservador, mas avesso ao cerco macarthista do momento que também procurava domesticar os cineastas – fez uma intervenção que ficou célebre. O meu nome é John Ford e faço westerns, diz Ford como introdução, para asseverar de seguida: a maior aspiração de um homem é ter a sua própria casa, um pedaço de terra e criar a sua família em paz. Na opinião de John Ford, o capitalismo americano, como o de outras geografias, resistiria ao modelo comunista que começara a irradiar pelo mundo após a 2.ª Guerra Mundial se fizesse proliferar a abundância, sintetizada, no patamar mínimo, pela posse de uma casa própria (a referência à terra remete para a ruralidade dos muitos westerns que Ford realizara) e pelo do direito à segurança (a paz).

Passaram-se três quartos de século sobre esta famosa intervenção de John Ford, mas em Portugal, como na Europa, sobretudo a Sul, as reclamações centradas na aspiração de ter uma casa própria, ou no mínimo uma casa arrendada acessível, têm incendiado o espaço público.

As “acampadas”........

© Diário do Minho