O Café do ti Casca e o "El Dorado" da Minerália
O Café do ti Casca e o "El Dorado" da Minerália
O Café do ti Casca, a Minerália e os Dados Reais do Lítio
Quero começar esta crónica com uma proposta editorial ao Diretor do Diário de Trás-os-Montes. Sugiro que se abra um espaço regular de opinião ao ti Casca, proprietário do conhecido café da nossa terra. Imagino-o a assinar textos brilhantes sobre as sublimes qualidades da sua vitela assada, garantindo ao leitor que ali tudo é confecionado com os produtos caseiros da sua olga e com os animais criados ao ar livre pela tia Francelina. O ti Casca jura que o seu balcão é o verdadeiro motor do desenvolvimento local. Se o jornalismo moderno permite que qualquer um use o espaço de opinião pública para auto-promoção descarada, por que razão haveríamos de fechar as portas ao ti Casca?
A pergunta impõe-se após a leitura do recente artigo de Avelino Pinheiro, que elevou as Minas da Borralha a pilar do "futuro tecnológico da Europa". O leitor menos atento julgará tratar-se de uma análise macroeconómica isenta. Contudo, o autor esqueceu-se de incluir um detalhe de palmatória na sua assinatura: o facto de ser diretor da Minerália, a empresa privada que detém a concessão para explorar o tungsténio em Montalegre.
A diferença entre o ti Casca e o engenheiro Pinheiro é que o primeiro vende os seus rissóis às claras; o segundo recorre à engenharia social. Para quem não conhece o termo técnico, fazer engenharia social é, em termos simples, embrulhar um negócio privado numa narrativa bonita para fazer crer às pessoas........
