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Madame Josephine: o Enigma de Vidago (CAP I)

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28.09.2026

Madame Josephine: o Enigma de Vidago (CAP I)

Após o aclamado sucesso de "Madame Josephine: Casamento em Alvites", publicado nas páginas deste jornal, a nossa arguta e elegante escritora transmontana radicada em Paris está de regresso. Depois de desvendar os segredos e as falsas aparências que ensombraram o solar de Alvites, em Mirandela, Madame Josephine e o seu fiel consorte, o pintor Antoine, procuram o repouso merecido nas prestigiadas termas do Vidago Palace Hotel. Contudo, o passado recusa-se a ficar sepultado. Acompanhada por algumas figuras cujos caminhos já se cruzaram na intriga anterior — como o ambíguo Doutor José Martins —, a nossa protagonista ver-se-á envolvida num novo e sofisticado quebra-cabeças no coração de Trás-os-Montes. Preparem os vossos espíritos: o Enigma de Vidago está prestes a começar, e neste cenário de luxo, cada sorriso esconde uma heresia e cada silêncio, um crime.

Capítulo I: Correntes Turvas

A viagem de Paris até Portugal fizera-se com a pompa e a minúcia que a educação irrepreensível de Madame Josephine exigia. O imponente descapotável — um topo de gama Jaguar XK120 Drophead Coupé de um brilhante tom creme — fizera o percurso europeu resguardado num vagão-plataforma atrelado ao Sud Express [SUD EXPRESS de PARIS a LISBONNE et ESTORIL], cruzando a fronteira de Vilar Formoso enquanto o casal desfrutava do conforto das carruagens-cama. Contudo, fora ao desembarcarem o automóvel na estação ferroviária de Peso da Régua que a verdadeira aventura começara. Antoine assumira o volante e o motor de seis cilindros rugira ao enfrentar as curvas exigentes da Estrada Nacional 2, subindo as encostas escarpadas do Marão e cruzando Vila Real em direção ao Norte. O Jaguar cruzara finalmente os portões de ferro do Vidago Palace Hotel ao final de uma tarde outonal, rasgando o tapete de folhas douradas que cobria a alameda dos bosques.

— Ah, mon amour, regarde! — exclamou Antoine, ajustando os óculos de leitura e apontando com o seu pincel de bolso para a fachada imponente do palácio. — Que arquitetura feérica! A luz que bate nestas colunas tem a tonalidade exata de uma aguarela de Monet. Os médicos de Paris tinham razão: estas águas vão curar a minha estafa e o meu espírito irá rejuvenescer na tua terra natal!

Madame Josephine sorriu com o canto dos lábios, o seu olhar de lince registando cada detalhe do pátio: as bagagens de cabedal dos hóspedes ilustres, a postura engomada dos jovens bagageiros fardados e o sussurro contido das matronas na varanda. Envergava um conjunto de viagem em tons de verde-musgo, desenhado na Maison........

© Diário de Trás-os-Montes