O Douro e a Quadratura do Círculo
O Douro e a Quadratura do Círculo
Uma vez mais, as vindimas decorrem com os amargos de boca a suplantarem a doçura dos cachos colhidos. O tempo de festa que eram as colheitas, vem sendo substituído por dias em que medra a falta de esperança nos lagares a fazer. Não há cantilenas que escondam os desânimos nos olhos que não reluzem.
As nuvens pontuam o céu azul, apesar da canícula que se faz sentir neste verão do nosso descontentamento. O garboso e por muitos desejado mês de agosto, ainda vai a meio, e já os socalcos se prestam a serem palcos em que decorre a correria e a azáfama de cortar e encher os contentores com as uvas que prometem vinhos de superior qualidade.
No entanto, cresce a noção de que se gastam recursos financeiros e humanos para que resulte uma mão cheia de nada. Cometendo um enorme sacrilégio, ainda por cima podemos dizer que a natureza se portou bem, a novidade chegou linda e viçosa às horas do corte antecipado nos dias do calendário de maneira a provocar quase um mar de vinho mediante as efetivas necessidades.
Como vem sendo costume repetido, não existe dia que alvoreça ou conversa que se troque em que não se ouça logo pelo cantar do galo e nas primeiras frases trocadas, a palavra crise. Quase não dói devido ao........
