Se o Luxemburgo falhar, Portugal pode agir
Quando os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE se reunirem no Luxemburgo, a 12 de outubro, terá passado um ano sobre o cessar-fogo em Gaza. A paz, porém, permanece ausente. A ONU continua a registar ataques a civis e restrições à ajuda humanitária, e projeta-se que cerca de 1,4 milhões de pessoas, dois terços da população de Gaza, enfrentem insegurança alimentar aguda até ao fim do ano. Na Cisjordânia, a ONU e outros observadores documentam a violência dos colonos e a expansão dos colonatos israelitas, que o Tribunal Internacional de Justiça considerou ilegais em 2004 e, de novo, em 2024.
O governo israelita acelera agora o projeto E1, um corredor urbano que deverá ligar o vasto colonato de Ma’ale Adumim a Jerusalém Oriental. A ONU, países da UE e outras organizações consideram que, uma vez concluído, cortará a continuidade territorial entre o norte e o sul da Cisjordânia e, na prática, inviabilizará um Estado palestiniano contíguo. Foi por essa razão que, durante décadas, Washington e as capitais europeias se opuseram ao plano.
A 8 de setembro, Portugal associou-se a uma declaração com a França, a Espanha, a Irlanda, a Dinamarca, a Finlândia, a Polónia e a Suécia, e fora da União, com o Reino Unido, o Canadá, a Noruega e a Islândia, em que esses Estados confirmam a intenção de restringir o comércio com os colonatos. Os 27 continuam, porém, sem posição comum: a Alemanha, a........
