Realismo geopolítico: quando a força se sobrepõe ao Direito Internacional
Lamento ter de repetir, mas criticar a teoria do realismo geopolítico não constitui um exercício de idealismo ingénuo. Trata-se, pelo contrário, de recordar três dimensões fundamentais das relações entre os Estados. Primeiro, que a paz deve ser o princípio basilar da ordem internacional. Segundo, que a Carta das Nações Unidas - ainda que careça de atualização em matéria de representatividade e do funcionamento do Conselho de Segurança - deve ser escrupulosamente respeitada. Terceiro, que o poder da força militar não pode, nem deve, sobrepor-se à força do Direito Internacional. O mundo não é um ringue de boxe, nem uma arena de gladiadores, onde vence invariavelmente o mais forte.
O erro central do pretenso “realismo político” reside na redução do Estado ao papel de um ator único, ignorando as práticas democráticas. As instituições, as associações de cidadãos, os agentes económicos, a comunicação social e os intelectuais são desvalorizados ou instrumentalizados como meros peões do poder. As oposições são diminuídas nos seus direitos, como alternativas normais em democracia. Na realidade, este pretenso realismo, que mais não é do que uma forma de reducionismo........
