Do Estado da União ao Irão: entre a retórica e o risco real
Vivemos numa sociedade em que proliferam os doutores nas áreas mais extravagantes das “Ciências Políticas”. Muitos deles fazem comentários nos programas de opinião dos canais televisivos, de modo tanto mais desarrazoado quanto o mais eficaz para captar o maior número possível de telespectadores. O que me leva a interrogar se algum deles terá estudado o pensamento político de Cantinflas, que ganhou um Globo de Ouro no campo da comédia, uma parente próxima da vida partidária. Embora falecido em 1993, pareceu-me adequado rever as suas intervenções na arte da política e imaginar como teria reagido ao discurso lengalenga que Donald Trump pronunciou esta semana sobre o Estado da União.
Cantinflas era um homem perspicaz e enquanto vizinho dos EUA, por ser mexicano, prestaria certamente uma bem gozada atenção à arenga do presidente norte-americano. Teria, não tenho dúvidas, ficado encantado. Trump mostrou, uma vez mais, ser um dos seus, um extraordinário orador num estilo que a personagem mexicanoa apreciava: o discurso circular. Ou seja, uma alocução sem fim, que volta repetidamente aos mesmos temas, como se o orador estivesse fechado numa arena sem saída.
Trump, no seu Estado da União 2026, passou reiteradamente pelas questões da imigração, do sucesso da sua governação, nomeadamente na área da........
