menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A ‘rentrée’ 2026: a Europa à procura de uma cadeira à mesa

31 0
04.09.2026

Há um ano, na edição do DN de 29 de agosto, escrevi que a rentrée 2025-2026 se anunciava pouco promissora: instituições multilaterais paralisadas, diplomacia reduzida a espetáculo, violações frequentes das normas internacionais e conflitos prolongados, tudo no quadro de uma União Europeia ameaçada, hesitante e dividida. Os 12 meses seguintes confirmaram esse diagnóstico. A rentrée deste ano é ainda mais desafiante: a instabilidade e as ameaças à paz e à segurança global aumentaram consideravelmente.

O que torna esta rentrée decisiva não é apenas a gravidade simultânea das múltiplas crises e a sua imprevisibilidade. É o facto de elas revelarem, de modo cada vez mais claro, que a Europa só poderá proteger os seus interesses, os seus cidadãos e os seus valores se reforçar a sua unidade política.

Temos um continuum de crises progressivamente interligadas: a crise ambiental agravou-se; a guerra contra a Ucrânia intensificou-se, em paralelo com um crescendo das ameaças russas contra a Europa democrática; no Médio Oriente, a violência não tem fim à vista; no Sudão, o colapso humanitário prossegue com uma indiferença e uma brutalidade que espelham a desordem internacional que vivemos. Sobre essa teia caiu agora uma perigosa corrida ao desenvolvimento da Inteligência Artificial, disputada por Washington, Pequim e um pequeno número de colossos empresariais com capacidades........

© Diário de Notícias