A Europa 2030: antecipar o impensável e garantir a paz
A Cimeira da NATO em Ancara tornou impossível continuar a ignorar a possibilidade de uma agressão russa contra o espaço europeu até ao final da década. Passou a ser uma hipótese estratégica que exige preparação, dissuasão e vontade política. A Europa enfrenta uma ameaça concreta e precisa de construir uma capacidade de Defesa real, coordenada e tão autónoma quanto possível. Ancara confirmou também uma segunda evidência: o apoio dos Estados Unidos, embora indispensável, deixou de poder ser tratado como uma garantia automática.
Os Estados europeus têm de corrigir um erro de avaliação: interpretar Moscovo como se o Kremlin calculasse os seus atos segundo uma lógica económica racional de custos e benefícios. Não é assim. A sua visão estratégica é moldada por outras forças: a sobrevivência do regime, o ressentimento histórico face ao Ocidente, a obsessão com a esfera de influência perdida e a necessidade de projetar força para impedir qualquer perceção de fraqueza.
É por isso que a continuação e a intensificação da guerra russa contra a Ucrânia aumentam o risco europeu. Esta crise, desencadeada pelo Kremlin, tem de terminar sem mais demora. À medida que Kiev demonstra capacidade para atingir infraestruturas críticas no interior da Rússia, a vulnerabilidade do poder de Vladimir Putin torna-se mais visível. Esses ataques corroem uma autocracia centrada num só rosto, cuja autoridade depende da repressão interna e da aparência de invencibilidade externa. O perigo maior é que o Kremlin, se se........
